{"id":64,"date":"2009-06-05T10:42:46","date_gmt":"2009-06-05T09:42:46","guid":{"rendered":"http:\/\/esjoseafonso.com\/wp\/?page_id=64"},"modified":"2022-01-05T13:48:30","modified_gmt":"2022-01-05T12:48:30","slug":"o-patrono","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.esjoseafonso.com\/wp\/?page_id=64","title":{"rendered":"O patrono"},"content":{"rendered":"<p><strong>Vida e Obra de Zeca Afonso <\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"justify\"><strong>Nota biogr\u00e1fica<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/www.esjoseafonso.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/zeca_a.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft  wp-image-6038\" src=\"http:\/\/www.esjoseafonso.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/zeca_a-273x300.jpg\" alt=\"\" width=\"217\" height=\"238\" srcset=\"https:\/\/www.esjoseafonso.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/zeca_a-273x300.jpg 273w, https:\/\/www.esjoseafonso.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/zeca_a.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 217px) 100vw, 217px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"justify\">Jos\u00e9 Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, filho de Jos\u00e9 Nepomuceno Afonso e de Maria das Dores, nasceu a 2 de Agosto de 1929, em Aveiro. Quando o pai foi colocado em Angola, em 1930, como delegado do Procurador da Rep\u00fablica, Zeca Afonso permaneceu em Aveiro por raz\u00f5es de sa\u00fade, confiado aos cuidados de uns tios. Tinha ent\u00e3o um ano e meio e cresceu numa casa situada na Fonte das sete Bicas, rodeado da ternura fraterna das primas e dos tios.<br \/>\nDe 1933 a 1936 Jos\u00e9 Afonso viveu com os pais e irm\u00e3os em Angola, deslumbrando-se com a paisagem africana. A sua rela\u00e7\u00e3o com o continente africano reflectir-se-\u00e1 em toda a sua vida. Em 1934 inicia os estudos da instru\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria.<br \/>\nEm 1936 regressa a Aveiro, onde \u00e9 recebido por tias do lado materno. Fica pouco tempo.<br \/>\nEm 1937 parte para Mo\u00e7ambique. Em Louren\u00e7o Marques reencontra-se com os pais e irm\u00e3os, com quem viver\u00e1 pela \u00faltima vez em conjunto at\u00e9 1938.<br \/>\nVolta para o continente em 1938 e fica em casa do tio Filomeno, ent\u00e3o presidente da C\u00e2mara em Belmonte. Aqui, Zeca Afonso completou a instru\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e viveu o ambiente mais profundo do salazarismo. O seu tio, salazarista fervoroso, f\u00ea-lo envergar a farda da Mocidade Portuguesa. \u00abFoi o ano mais desgra\u00e7ado da minha vida\u00bb, confidenciou.<br \/>\nChega a Coimbra em 1940 para prosseguir os estudos. \u00c9 matriculado no liceu D. Jo\u00e3o III e instala-se em casa de uma tia. Neste ano os pais j\u00e1 se encontravam em Timor, onde seriam cativos dos ocupantes japoneses durante tr\u00eas anos, at\u00e9 1945. Foram tr\u00eas anos sem not\u00edcias dos pais.<br \/>\nJos\u00e9 Afonso come\u00e7a a cantar serenatas por volta do quinto ano do Liceu (1945), como \u00abbicho\u00bb, designa\u00e7\u00e3o da praxe acad\u00e9mica de Coimbra para os estudantes liceais. A sua voz ecoa pela cidade velha e os tradicionalistas reconheciam-no como um bicho que canta bem. A vida bo\u00e9mia chama-o e acumula dois anos de \u00abchumbos\u00bb no curso dos liceus.<br \/>\nEm 1947 conhece Maria Am\u00e1lia, sua futura esposa.<br \/>\nConcluiu o curso liceal em 1948. No ano seguinte inscreveu-se no curso de Ci\u00eancias Hist\u00f3rico-Filos\u00f3ficas da Faculdade de Letras. Integrou v\u00e1rias comitivas do Orfe\u00e3o Acad\u00e9mico de Coimbra e da Tuna Acad\u00e9mica da Universidade de Coimbra, nomeadamente em digress\u00f5es pelo Continente, Angola e Mo\u00e7ambique. Interpretava soberba e superiormente o fado de Coimbra l\u00edrico e tradicional.<br \/>\nA Universidade n\u00e3o o seduz; a bo\u00e9mia \u00e9 mais atraente. Em 1951 j\u00e1 se destaca claramente como um dos grandes int\u00e9rpretes do fado de Coimbra.<br \/>\nEm Janeiro de 1953 nasce o seu primeiro filho, Jos\u00e9 Manuel. Grava fados de Coimbra em discos de 78 rota\u00e7\u00f5es: \u00abSolit\u00e1rio\u00bb, \u00abO Sol anda l\u00e1 no c\u00e9u\u00bb, \u00abContos velhinhos\u00bb e \u00abFado das \u00e1guias\u00bb, inclu\u00eddos em 1996 no CD \u00abJos\u00e9 Afonso de capa e batina\u00bb. Neste mesmo ano come\u00e7a a cumprir o servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio em Mafra.<br \/>\nO servi\u00e7o militar em Mafra e (depois) em Coimbra &#8211; j\u00e1 em 1954 &#8211; coloca-o em s\u00e9rias dificuldades econ\u00f3micas. Intensifica-se a crise conjugal.<br \/>\nEm 1955, ap\u00f3s o servi\u00e7o militar, e ent\u00e3o com dois filhos, prossegue os estudos para concluir o curso.<br \/>\nCome\u00e7a a leccionar em Mangualde em 1956. Neste ano inicia-se tamb\u00e9m o processo de separa\u00e7\u00e3o e posterior div\u00f3rcio de Maria Am\u00e1lia.<br \/>\nEm 1957 d\u00e1 aulas em Aljustrel e Lagos.<br \/>\nJos\u00e9 Afonso grava o seu primeiro disco em 45 rota\u00e7\u00f5es, \u00abBaladas de Coimbra\/Menino de Oiro\u00bb, em 1958. Nesta altura \u00e9 professor em Faro e acompanha o movimento em torno da candidatura presidencial de Humberto Delgado. Devido \u00e0s dificuldades econ\u00f3micas, manda os filhos para Mo\u00e7ambique, para junto dos av\u00f3s.<br \/>\nEm 1959 frequenta colectividades e canta regularmente em meios populares. No ano seguinte s\u00e3o editados mais dois singles: \u00abBalada do Outono\u00bb e \u00abDr. Jos\u00e9 Afonso em Baladas de Coimbra \/ Menino do Bairro Negro\u00bb. Este \u00faltimo inclui \u00abOs Vampiros\u00bb, can\u00e7\u00e3o proibida pela censura e pela PIDE. \u00abOs Vampiros\u00bb, juntamente com \u00abTrova do Vento que Passa\u00bb (gravada s\u00f3 em 1963), escrita por Manuel Alegre e cantada por Adriano Correia de Oliveira, constituem um marco fundamental da can\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o e de resist\u00eancia antifascista.<br \/>\nEm 1961 segue atentamente a crise estudantil de Coimbra. Convive em Faro com Luiza Neto Jorge, Ant\u00f3nio Barahona, Ramos Rosa e namora com Z\u00e9lia, que ser\u00e1 a sua segunda mulher. Em 1962 mant\u00e9m-se em Faro, de onde acompanha a crise estudantil da Universidade de Lisboa.<br \/>\n\u00abBaladas e Can\u00e7\u00f5es \/ Trovas Antigas\u00bb e \u00abBaladas e Can\u00e7\u00f5es \/ Can\u00e7\u00e3o Longe\u00bb s\u00e3o gravados em 1963. Seguem-se, no ano a seguir, \u00abBaladas de Jos\u00e9 Afonso \/ O Pastor de Bensafrim\u00bb e \u00abCantares de Jos\u00e9 Afonso \/ Coro dos Ca\u00eddos\u00bb. Em Maio de 1964, Jos\u00e9 Afonso actua na Sociedade Fraternidade Oper\u00e1ria Grandolense, onde supostamente se inspira para escrever \u00abGr\u00e2ndola, vila morena\u00bb. Ainda neste ano parte para Mo\u00e7ambique (Louren\u00e7o Marques) com Z\u00e9lia, ao encontro dos seus dois filhos e dos seus pais. Na capital mo\u00e7ambicana relaciona-se com o cineclube e com associa\u00e7\u00f5es culturais de mo\u00e7ambicanos.<br \/>\nEm 1965 encontra-se a leccionar na Beira. Aqui musicou can\u00e7\u00f5es para uma pe\u00e7a teatral de Brecht, \u00abA excep\u00e7\u00e3o e a regra\u00bb. Come\u00e7ou a desenvolver uma intensa actividade pol\u00edtica contra o colonialismo, o que lhe trouxe problemas com a PIDE e com a administra\u00e7\u00e3o colonial.<br \/>\nMais tarde, em 1967, regressou a Portugal. Foi colocado como professor em Set\u00fabal; entretanto sofreu uma grave crise de sa\u00fade que o levou ao internamento em Belas. Quando saiu da cl\u00ednica tinha sido expulso do ensino oficial. Neste ano foi publicado o LP \u00abBaladas e Can\u00e7\u00f5es\u00bb, onde se reuniram temas dos singles anteriores. Foi publicado tamb\u00e9m o livro Cantares de Jos\u00e9 Afonso.<br \/>\nPara sobreviver d\u00e1 explica\u00e7\u00f5es. Em 1968 canta mais assiduamente nas colectividades da margem Sul, onde \u00e9 n\u00edtida a influ\u00eancia do PCP. No Natal deste ano edita \u00abCantares do Andarilho\u00bb.<br \/>\n\u00c9 de salientar que entre 1967-70, Zeca protagoniza uma interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e musical \u00edmpar, convertendo-se num s\u00edmbolo da resist\u00eancia. Foi detido v\u00e1rias vezes pela PIDE, manteve contactos com a Luar, o PCP e a esquerda radical. Em 69 empenha-se no movimento sindical, na elei\u00e7\u00e3o de deputados \u00e0 Assembleia Nacional da CDE de Set\u00fabal e participa no 1\u00ba Encontro da \u00abChanson Portugaise de Combat\u00bb em Paris. Alvo de censura, Jos\u00e9 Afonso passa a ser tratado nos jornais por Esoj Osnofa. O \u00e1lbum \u00abContos Velhos, Rumos Novos\u00bb e o single \u00abMenina dos Olhos Tristes\u00bb, que cont\u00e9m a can\u00e7\u00e3o \u00abCanta Camarada\u00bb (quase um hino do PCP!), foram editados tamb\u00e9m em 69. Em 1970 publica-se o \u00e1lbum \u00abTraz outro amigo tamb\u00e9m\u00bb.<br \/>\nCom os arranjos musicais de Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, em 1971 edita \u00abCantigas do Maio\u00bb Nesta obra est\u00e1 &#8220;Gr\u00e2ndola Vila Morena&#8221;, que se tornar\u00e1 um s\u00edmbolo da revolu\u00e7\u00e3o de Abril.<br \/>\nDesde ent\u00e3o Zeca participa em v\u00e1rios festivais. Em 1972 \u00e9 publicado o livro Jos\u00e9 Afonso e lan\u00e7ado o LP \u00abEu vou ser como a toupeira\u00bb. Em 1973 continua cantando um pouco por todo o lado; muitas sess\u00f5es foram proibidas pela PIDE-DGS. Canta no III Congresso da Oposi\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica. Em Abril \u00e9 preso e fica em Caxias at\u00e9 finais de Maio. Na pris\u00e3o pol\u00edtica escreve o poema \u00abRedondo Voc\u00e1bulo\u00bb. No Natal publica \u00abVenham mais cinco\u00bb, novamente com a colabora\u00e7\u00e3o musical de Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco. A can\u00e7\u00e3o \u00abVenham mais cinco\u00bb seria proibida na Emissora Cat\u00f3lica Portuguesa.<br \/>\nEm Mar\u00e7o de 1974, no Coliseu de Lisboa, ocorre &#8211; sob forte vigil\u00e2ncia policial &#8211; o Primeiro Encontro da Can\u00e7\u00e3o Portuguesa promovido pela Casa da Imprensa. Cantam Fausto, Jos\u00e9 Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Vitorino, Manuel Freire e outros; terminam o espect\u00e1culo entoando \u00abGr\u00e2ndola\u00bb. Um m\u00eas depois acontece o 25 de Abril.<br \/>\nJos\u00e9 Afonso acompanha o PREC (Processo Revolucion\u00e1rio em Curso), afastando-se um pouco da sua vida art\u00edstica. Em Outubro de 74 colabora com empenho nas campanhas de dinamiza\u00e7\u00e3o cultural promovidas pelo MFA em Tr\u00e1s-os-Montes &#8211; per\u00edodo que considera dos mais felizes na sua vida.<br \/>\nDepois do fracassado golpe spinolista de 11 de Mar\u00e7o de 1975, canta nessa noite no quartel do RAL 1 (Ralis) com S\u00e9rgio Godinho em solidariedade com esta unidade, alvo da ac\u00e7\u00e3o dos golpistas. Apoia as nacionaliza\u00e7\u00f5es que se seguiram e as ocupa\u00e7\u00f5es de terras no Ribatejo e no Alentejo. \u00c9 um entusiasta da reforma agr\u00e1ria. Em 25 de Novembro est\u00e1 ao lado dos p\u00e1ra-quedistas de Tancos, que ser\u00e3o derrotados pelos comandos de Jaime Neves, chefiados por Ramalho Eanes. Em Dezembro grava o LP \u00abO Coro dos Tribunais\u00bb, onde conta com a colabora\u00e7\u00e3o de Fausto, Adriano Correia de Oliveira, Vitorino e Jos\u00e9 Niza, entre outros.<br \/>\nEm 1976 apoia Otelo Saraiva de Carvalho na candidatura \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Nesta ano sai o \u00e1lbum \u00abCom as minhas tamanquinhas\u00bb. No ano seguinte critica profundamente a pol\u00edtica de governo do PS, chefiado por M\u00e1rio Soares.<br \/>\nNo LP \u00abEnquanto h\u00e1 for\u00e7a\u00bb (1978) revela as suas preocupa\u00e7\u00f5es anti-colonialistas e anti-imperialistas, assim como a sua posi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e mordaz face \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica. Com a can\u00e7\u00e3o \u00abUm homem novo veio da mata\u00bb manifestou o seu apoio ao MPLA.<br \/>\nEm 1979 dedica-se exclusivamente \u00e0 m\u00fasica e \u00e0 milit\u00e2ncia de solidariedade. No Natal deste ano lan\u00e7a o disco \u00abFura Fura\u00bb com a colabora\u00e7\u00e3o de J\u00falio Pereira. Em 1980 apoia os presos do PRP.<br \/>\nO seu apoio aos presos do PRP (Carlos Antunes, Isabel do Carmo e outros) \u00e9 reafirmado em 1981 em sess\u00f5es de canto e solidariedade, visando a aplica\u00e7\u00e3o da amnistia. Neste mesmo ano actua no Theatre De La Ville de Paris e comp\u00f5e a m\u00fasica de \u00abFern\u00e3o Mendes\u00bb para a \u00abBarraca\u00bb.<br \/>\nEm 1982 regressa \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o coimbr\u00e3 com o \u00e1lbum \u00abFados de Coimbra\u00bb. \u00c9 uma bela vers\u00e3o do fado de Coimbra, interpretado por Jos\u00e9 Afonso em homenagem a seu pai e a Edmundo Bettencourt. Come\u00e7am a fazer-se sentir os sintomas da doen\u00e7a.<br \/>\nO seu \u00faltimo espect\u00e1culo ocorre em 1983, no Coliseu dos Recreios. Jos\u00e9 Afonso encontra-se j\u00e1 em dificuldade. Publica-se o duplo \u00e1lbum \u00abJos\u00e9 Afonso ao vivo no Coliseu\u00bb, com a colabora\u00e7\u00e3o de J\u00falio Pereira, Fausto e Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco. Trata-se de uma obra bel\u00edssima que constitui um aut\u00eantico testamento pol\u00edtico, est\u00e9tico e art\u00edstico.<br \/>\nEm 1984 o estado de sa\u00fade agrava-se, facto que n\u00e3o o impede de manifestar a sua solidariedade aos trabalhadores com sal\u00e1rios em atraso e a Otelo Saraiva de Carvalho, bem como a outros presos das FP 25 de Abril.<br \/>\n\u00abGalinhas do Mato\u00bb, \u00faltimo \u00e1lbum do cantor-poeta, \u00e9 gravado em 1985. J\u00e1 n\u00e3o consegue interpretar todos os temas do disco; Janita Salom\u00e9, Lu\u00eds represas, Helena Vieira e N\u00e9 Ladeiras foram alguns dos int\u00e9rpretes dos originais de Zeca Afonso. A direc\u00e7\u00e3o musical pertenceu a Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco e J\u00falio Pereira. Recebe v\u00e1rias homenagens e \u00e9 condecorado com a Ordem da Liberdade. Neste ano manifesta ainda a sua solidariedade com o povo de Timor Leste e a Fretilin.<br \/>\nEm 1986 tece cr\u00edticas ao processo de ades\u00e3o de Portugal \u00e0 CEE e apoia a candidatura de Maria de Lourdes Pintassilgo \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<br \/>\nA 23 de Fevereiro de 1987 Jos\u00e9 Afonso morre no Hospital de Set\u00fabal.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"justify\"><strong>Breve apontamento sobre a obra e a pessoa <\/strong><br \/>\nJos\u00e9 Afonso influenciou para sempre a m\u00fasica e a cultura portuguesas. Compositor multifacetado, percorreu no seu repert\u00f3rio diversas \u00e1reas musicais, das baladas de Coimbra \u00e0 m\u00fasica tradicional, tendo tamb\u00e9m feito m\u00fasica para teatro. \u00c9, sem d\u00favida, uma refer\u00eancia incontorn\u00e1vel da m\u00fasica portuguesa na segunda metade do s\u00e9culo XX. Hoje, a sua obra musical continua a dar frutos e a influenciar as novas gera\u00e7\u00f5es.<br \/>\nJos\u00e9 Afonso foi tamb\u00e9m um importante poeta. A austr\u00edaca Elfriede Engelmayer sustentou que \u00e9 um dos maiores poetas portugueses e o facto de n\u00e3o aparecer nas antologias de poesia portuguesa do s\u00e9culo XX deve-se a uma indiferen\u00e7a intencional: \u00abTem a ver com a sua imagem. Porque um cantor n\u00e3o tem a ver com literatura e porque foi uma pessoa com op\u00e7\u00f5es marcadamente pol\u00edticas\u00bb, afirma a docente de Coimbra.<br \/>\n\u00abZeca\u00bb \u00e9 admirado tamb\u00e9m pela sua personalidade e forma de estar na vida: \u00abAdmito que a revolu\u00e7\u00e3o seja uma utopia, mas no meu dia-a-dia procuro comportar-me como se ela fosse tang\u00edvel. Continuo a pensar que devemos lutar onde exista opress\u00e3o, seja a que n\u00edvel for\u00bb.<br \/>\nFoi um homem solid\u00e1rio, movido por causas e ideais que lhe pareciam justos. Um ser humano que vivia movido por uma utopia e que nunca parou muito tempo no mesmo lugar. Um dia disse de si pr\u00f3prio: \u00abAlguma coisa do que sou e fui foi em viagem\u00bb.<\/p>\n<p align=\"justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"justify\"><strong>Obras de refer\u00eancia: <\/strong><br \/>\nTextos e can\u00e7\u00f5es de Jos\u00e9 Afonso, Ass\u00edrio &amp; Alvim, 1983.<br \/>\nSalvador, Jos\u00e9 A., Jos\u00e9 Afonso, O Rosto da Utopia, Edi\u00e7\u00f5es Afrontamento, 1999.<br \/>\nEngelmayer, Elfriede, Jos\u00e9 Afonso Poeta, Ulmeiro, 1999.<\/p>\n<p align=\"justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"justify\"><strong>Liga\u00e7\u00f5es:<\/strong><br \/>\nVisita a p\u00e1gina da Associa\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Afonso: <a href=\"http:\/\/www.aja.pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.aja.pt<\/a><\/p>\n<div class=\"al2fb_like_button\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/pt_PT\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.esjoseafonso.com\/wp\/?page_id=64\" layout=\"standard\" show_faces=\"true\" width=\"450\" action=\"like\" font=\"arial\" colorscheme=\"light\" ref=\"AL2FB\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vida e Obra de Zeca Afonso Nota biogr\u00e1fica &nbsp; Jos\u00e9 Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, filho de Jos\u00e9 Nepomuceno Afonso e de Maria das Dores, nasceu a 2 de Agosto de 1929, em Aveiro. 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